quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Um teatro de idéias




Inaugurado em Julho de 1997, o Teatro XVIII, localizado no centro histórico de Salvador, fecha as portas depois de 10 anos promovendo cultura para a população baiana. Em 2000, uma nova gestão administrativa do Teatro apostou num projeto de democratização da cultura e potencialização de acesso, que tem como pilares uma programação de qualidade e um ingresso a preço justo. Essa virada conceitual foi apoiada pelo patrocínio integral de todos os projetos através do FazCultura e transformou o XVIII em um teatro de idéias e ideais.Ainda em 2000, a direção do teatro passou a administrar também o Anexo do XVIII, uma casa vizinha, onde acontece o projeto Cursos de Aprendizado Cênico e os ensaios de todas as produções. Neste mesmo ano a Galeria Moacir Moreno, que mensalmente recebe, sem ônus, artistas emergentes para exposições de artes visuais, também foi inaugurada.Os saraus literários tiveram grande importância para o teatro e para todos que o freqüentavam, foi com ele que surgiu o projeto Segundas do XVIII. Toda primeira segunda-feira do mês, um grupo de artistas da casa e convidados lê textos literários reunidos por autor ou tema, com acesso gratuito. Em seguida vieram os Saraus Instrumentais, com o Grupo de Câmara de XVIII interpretando peças de compositores eruditos nacionais e internacionais, a cada última segunda-feira do mês. Em 2002, novos eventos juntaram-se a essa programação: Na segunda segunda-feira do mês o Noites Sem Caráter permite a qualquer interessado subir ao palco e realizar uma fantasia artística e na terceira segunda-feira, especialistas discutem temas contemporâneos no Penso Logo Existo.Segundo site do teatro, a cessão de pautas sem ônus para grupos e artistas locais e de outros Estados é uma constante no XVIII desde 2000. Os espetáculos selecionados recebem o apoio técnico (iluminador, sonoplasta, chefe de palco, camareira, assessor de Imprensa) para apresentar seu trabalho. A única taxa cobrada é o preço do ingresso, que não ultrapassam o valor de R$ 4,00. Depois dessa guinada em 2000, até os dias de hoje, o teatro lotou as salas, as apresentações extrapolavam o palco e nos finais de semana era garantia de que o XVIII promovia cultura para todas as classes sociais. A crise que envolve o fechamento do Teatro leva descontentamento para muitos. Uma coletiva de impressa foi realizada no dia 24 de setembro de 2007 para esclarecer os principais motivos do fechamento do XVIII. A ausência do secretário de cultura Marcio Meireles foi uma das polêmicas da coletiva. Segundo Clara Sales, estudante e atriz que cresceu com o XVIII, a perda é irreparável. O teatro que durante dez anos, foi o grande formador da cultura baiana e da formação de platéia, teve grande produções de qualidade, com bons elencos e textos que se somam a projetos de formação artística.

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